COP 30 em Belém: o que verdadeiramente importa?
- Dominik Giusti
- 21 de out. de 2023
- 2 min de leitura
ACOP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) em Belém é menos sobre se a cidade vai ter hotel e transporte, em 2025, e mais sobre uma articulação que pode orientar os rumos do desenvolvimento regional - que é historicamente pautado na exploração dos recursos da floresta de forma predatória, na escravização das populações amazônidas e na espoliação dos sentidos e modos de vida dos povos da minha terra e claro, numa consequente e danosa concentração de capital. Isso tudo está no bojo dos rumos também do desenvolvimento econômico global.
As desigualdades sociais advindas desse cenário a gente sabe, e olha só… até mesmo não ter infraestrutura adequada tem a ver com isso - a capital figura na 7ª posição no ranking das cidades com o pior saneamento básico do país (Instituto Trata Brasil, 2023). Mas quero ir além, como já mencionei: tem a ver também com o assassinato de Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno e Dom; e pra falar de um fato recente: o ataque ao cacique Lúcio Tembé, vítima de uma tentativa de homicídio com uma bala na cabeça, em Tomé-Açú, no Pará.
Há muitos e muitos anos, a Amazônia é esse território invadido, violado, explorado, dominado. Nosso povo morre. A diversidade sociocultural e biológica está ameaçada - denúncias são feitas e estão muito bem espalhadas nos quatro cantos do mundo. O desmatamento na Amazônia - tópico que tem destaque máximo nesse soprar dos ventos noticiosos - explodiu, avançou a recordes históricos no governo Bolsonaro, agora recua no governo Lula. Mas, um grave problema ocorre: o desmatamento explode no bioma vizinho, o bioma do coração do Brasil, o Cerrado - o berço das águas do país, aumento de 21% no primeiro semestre de 2023, em relação a esse período do ano passado (Deter/Inpe).
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